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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Comentários Políticos: A ORIGEM DA CORRUPÇÃO

O grande capital nacional e internacional e a mídia, sem uma agenda convincente no plano econômico, social e político, se aproveitam dos equívocos do PT e dos partidos aliados e arrumam uma agenda com a qual esperam voltar ao poder: o combate à corrupção. Como se fossem vetustos cidadãos, guardiões da moralidade pública e privada. Como se o passado não os tivesse já condenado pelos inúmeros mal feitos, roubos e apropriações indébitas do erário. Como se já quase não tivessem entregue a soberania nacional ao capital estrangeiro. Como se desconhecessem que a corrupção é filha legítima da injustiça social e arruina os costumes. Indiferentes ao sofrimento alheio, sem qualquer compaixão ou misericórdia pelos menos favorecidos, os neoliberais de plantão desejam o poder, única e exclusivamente pelo poder, falsos moralistas a esconder o real objetivo de sua politica entreguista: desgastar as atividades estatais e emplacar novamente uma agenda liberal para o Estado brasileiro. Desmontar o Brasil e reinar sobre os seus escombros. Os tucanos fazem isso em Minas com soberba maestria. Propagandeiam que o choque-de-gestão imposto pelo seu programa liberal no Estado, teve como objetivo reduzir os gastos da máquina pública em benefício de maiores gastos com a população. MENTIRA! Vejam como anda nossa educação, a saúde, a segurança, os transportes, moradia, saneamento básico...Uma lástima. Gastam sim é com a propaganda. Esbanjam dinheiro com a mídia nativa, compram sua consciência. Nos últimos dez anos foram gastos mais de 1,2 bilhão de reais para calar jornais e TVs de Minas. Os investimentos na saúde pública, que a Constituição de 1988 prevê sejam de 12% da arrecadação do Estado, não chegam a 4%. E ainda por cima os governos estaduais tucanos oneram a conta "Saúde Pública" com despesas com ração para os cães da policia militar e vacina contra febre aftosa. Minas deve hoje mais de 70 bilhões de reais, jogando por terra a balela do déficit zero. Arrecada 35 bi/ano e paga juros de 5 bi/ano. Deve, pois mais de duas vezes o que arrecada anualmente. Mas na propaganda a Minas que nos é vendida é outra, uma verdadeira xangrilá. Melhor exemplo de capital neoliberal infiltrado na administração pública não há. Não é isso, certamente, o que o povo brasileiro deseja para o seu país. Os liberais capitalistas são insensíveis ao sofrimento dos mais pobres, insensibilidade essa laboriosamente construída ao longo de cinco séculos e que se tornou a mãe da cultura da corrupção. O desdém pela pobreza tornou-os uma sociedade viciada. Valores éticos são impossíveis de vicejarem nesse terreno. Só o combate frontal e incansável à injustiça social é capaz de enfrentar a corrupção. Isso o governo do PT, apoiado, principalmente, pelas forças da esquerda, à frente o PCdoB, fez e continua fazendo muito bem. O resto é conversa fiada, meras palavras de cinismo e hipocrisia. Jeferson M. Soares Ribeirão das Neves-MG

domingo, 10 de outubro de 2010

Leonardo Boff apóia aliança entre Marina e Dilma

Leonardo Boff: Por uma aliança entre Marina e Dilma

Há dois projetos em ação: um é o neoliberal ainda vigente no mundo e no Brasil apesar da derrota de suas principais teses na crise de 2008. Esse nome visa dissimular aos olhos de todos, o caráter altamente depredador do processo de acumulação, concentrador de renda que tem como contrapartida o aumento vertiginoso das injustiças, da exclusão e da fome. José Serra representa esse ideário. O outro projeto é o da democracia social e popular do PT. Sua base social é o povo organizado e todos aqueles que pela vida afora se empenharam por um outro Brasil. Dilma Rousseff se propõe garantir e aprofundar a continuidade deste projeto. É aquí que entra a missão de Marina Silva com seus cerca de vinte milhões de votos. O artigo é de Leonardo Boff.
Leonardo Boff, na Carta Maior

O Brasil está ainda em construção. Somos inteiros mas não acabados. Nas bases e nas discussões políticas sempre se suscita a questão: que Brasil finalmente queremos?
É então que surgem os vários projetos políticos elaborados a partir de forças sociais com seus interesses econômicos e ideológicos com os quais pretendem moldar o Brasil.
Agora, no segundo turno das eleições presidenciais, tais projetos repontam com clareza. É importante o cidadão consciente dar-se conta do que está em jogo para além das palavras e promessas e se colocar criticamente a questão: qual dos projetos atende melhor às urgências das maiorias que sempre foram as “humilhadas e ofendidas” e consideradas “zeros econômicos” pelo pouco que produzem e consomem.
Essas maiorias conseguiram se organizar, criar sua consciência própria, elaborar o seu projeto de Brasil e digamos, sinceramente, chegaram a fazer de alguém de seu meio, Presidente do pais, Luiz Inácio Lula da Silva. Fou uma virada de magnitude histórica.
Há dois projetos em ação: um é o neoliberal ainda vigente no mundo e no Brasil apesar da derrota de suas principais teses na crise econômico-financeira de 2008. Esse nome visa dissimular aos olhos de todos, o caráter altamente depredador do processo de acumulação, concentrador de renda que tem como contrapartida o aumento vertiginoso das injustiças, da exclusão e da fome. Para facilitar a dominação do capital mundializado, procura-se enfraquecer o Estado, flexibilizar as legislações e privatizar os setores rentáveis dos bens públicos.
O Brasil sob o governo de Fernando Henrique Cardoso embarcou alegremente neste barco a ponto de no final de seu mandato quase afundar o Brasil. Para dar certo, ele postulou uma população menor do que aquela existente. Cresceu a multidão dos excluidos. Os pequenos ensaios de inclusão foram apenas ensaios para disfarçar as contradições inocultáveis.
Os portadores deste projeto são aqueles partidos ou coligações, encabeçados pelo PSDB que sempre estiveram no poder com seus fartos benesses. Este projeto prolonga a lógica do colonialismo, do neocolonialismo e do globocolonialismo pois sempre se atém aos ditames dos paises centrais.
José Serra, do PSDB, representa esse ideário. Por detrás dele estão o agrobusiness, o latifúndio tecnicamente moderno e ideologicamente retrógrado, parte da burguesia financeira e industrial. É o núcleo central do velho Brasil das elites que precisamos vencer pois elas sempre procuram abortar a chance de um Brasil moderno com uma democracia inclusiva.
O outro projeto é o da democracia social e popular do PT. Sua base social é o povo organizado e todos aqueles que pela vida afora se empenharam por um outro Brasil. Este projeto se constrói de baixo para cima e de dentro para fora. Que forjar uma nação autônoma, capaz de democratizar a cidadania, mobilizar a sociedade e o Estado para erradicar, a curto prazo, a fome e a pobreza, garantir um desenvolvimento social includente que diminua as desigualdades. Esse projeto quer um Brasil aberto ao diálogo com todos, visa a integração continental e pratica uma política externa autônoma, fundada no ganha-ganha e não na truculência do mais forte.
Ora, o governo Lula deu corpo a este projeto. Produziu uma inclusão social de mais de 30 milhões e uma diminuição do fosso entre ricos e pobres nunca assistido em nossa história. Representou em termos políticos uma revolução social de cunho popular pois deu novo rumo ao nosso destino. Essa virada deve ser mantida pois faz bem a todos, principalmente às grandes maiorias, pois lhes devolveu a dignidade negada.
Dilma Rousseff se propõe garantir e aprofundar a continuidade deste projeto que deu certo. Muito foi feito, mas muito falta ainda por fazer, pois a chaga social dura já há séculos e sangra.
É aquí que entra a missão de Marina Silva com seus cerca de vinte milhões de votos. Ela mostrou que há uma faceta significativa do eleitorado que quer enriquecer o projeto da democracia social e popular. Esta precisa assumir estrategicamente a questão da natureza, impedir sua devastação pelas monoculturas, ensaiar uma nova benevolência para com a Mãe Terra. Marina em sua campanha lançou esse programa. Seguramente se inclinará para o lado de onde veio, o PT, que ajudou a construir e agora a enriquecer. Cabe ao PT escutar esta voz que vem das ruas e com humildade saber abrir-se ao ambiental proposto por Marina Silva.
Sonhamos com uma democracia social, popular e ecológica que reconcilie ser humano e natureza para garantir um futuro comum feliz para nós e para a humanidade que nos olha cheia de esperança.
(*) Leonardo Boff é teólogo

domingo, 26 de setembro de 2010

OS TUCANOS E O PARLAMENTARISMO

Até as eleições de 1989, quando o candidato tucano à presidencia era Mário Covas, o PSDB defendia o parlamentarismo como forma de governo mais adequada ao Brasil. De lá para cá nunca mais tocaram no assunto. Primeiro porque eles têm uma vocação enorme pelo poder absolutista, segundo porque sabem que num país onde o Parlamento é um antro de raposas de rapina não teria sucesso esse modelo, e terceiro porque sabem muito bem que hoje, tendo um presidente realizador como Lula , fica impraticável aprovar num plebiscito a mudança da forma de governo atual.
Na verdade também o PSDB sabe que os temores em relação a Lula, ao PT e a Dilma, são exagerados. Eles deixaram há muito de ser radicais. As questões que no passado amedrontavam os conservadores e afastavam os progressistas vão sendo esquecidas.
Até as eleições de FHC, as declarações dos candidatos eram genéricas e demagógicas. Tratavam apenas de dizer que se iria construir este ou aquele tipo de escola, que se iria melhorar a saúde desta ou daquela forma. Eram chavões. E nada se fazia. Eram promessas falaciosas e, na maioria das vezes impossiveis de serem cumpridas, sem contrariar os interesses dos poderosos donos do dinheiro, público e privado.
Com o advento dos governos Lula, idéias simples, claras e objetivas sairam do papel e tomaram corpo, toda a sociedade brasileira foi mobilizada e o governo fez e faz, sem que necessariamente prometa algo inverossímel, somente com o intuito de alcançar o poder.
O governo vem investindo pesadamente na educação. Criou 15 novas universidades federais e 45 novas escolas técnicas federais. Equalizou o piso salarial dos professores federais em um patamar muito mais digno. Está investindo na formação de bons professores. Implantou programas de educação informal para o povo, através do SUS, dos Postos de Saúde da Família e dos Programas Sociais, capazes de tornar cada homem num cidadão nutrido de conceitos básicos sobre higiene, ética, ecologia, educação familiar, comunitária e politica e a convivencia com a liberdade e a democracia.
Enquanto isto, os neoliberais se cercam de publicitários ao invés de educadores e escorregam nas subestimações das condições que deveriam enfrentar. O porta voz da direita e da burguesia nacionais, o ex-presidente FHC, com sua tola verbiagem prega que " acabar com a desigualdade não é tudo", numa tentativa desesperada de desmerecer os avanços do governo Lula, sem enxergar que as desigualdades são a origem de todos os males que nos assolam há mais de 500 anos.
Nada hoje será como antes, porque a história não é o eterno retorno com que sonhavam as elites.
Por essas e por outras torna-se ainda mais difícil se implantar o parlamentarismo no país.

Jeferson Soares
Neves-MG