Este blog se presta como ferramenta para atividade de disciplina. Postarei textos de Comentarios políticos referentes a esta fase de eleições, considerando partidos que simpatizo
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sábado, 21 de setembro de 2013
A mídia que esperneia
Quando nossa mídia esperneia pela sua liberdade, acusando o Governo Federal de querer regulá-la, ela tem toda razão. Regular a imprensa significa tirar dela a irresponsável liberdade que permite que minta, que invente, que crie fatos, que influencie a opinião pública contra as autoridades constituídas, que manipule a notícia, que esconda as mazelas da oposição, que privilegie o individualismo capitalista contra ações coletivas de programas sociais do governo.
A mídia nacional, com raras e honrosas exceções, a revista Carta Capital é uma delas, banalizou a profissão de jornalista, ridicularizou os antigos e corretos profissionais do ramo, deu-se o direito de manipular fatos, inventar notícias, criar campanhas para desacreditar pessoas. Engajou-se na mais retrógrada organização político-ideológico, aquela que privilegia exclusivamente interesses econômicos de rentismo do capitalismo neoliberal.
O jornalista da grande mídia desempenha sua função ostentando a ideologia dos patrões, suas opiniões e preferências. Não tem hoje o jornalista o espírito crítico e imparcial que deveria predominar na independência do desempenho de sua atividade. Não pode assumir compromisso apenas com a isenção na cobertura dos fatos e não pode ter liberdade de expressão, já que sofre censura dentro de sua própria redação. Não lhe é permitida responsabilidade moral pelas informações que coleta e transmite.
Nossa pobre – não no sentido material, mas no espiritual – grande mídia não se propõe a realizar um jornalismo crítico, apartidário e pluralista. Critica apenas um lado escondendo as mazelas do outro, opta pela direita reacionária e entreguista como partido e adota atitude de dependência em face de grandes grupos econômicos. Trata notícias e ideias como mercadorias de refugo, sem qualquer rigor técnico. Não acredita na democracia, já que não atende livre, eficiente e diversificadamente a demanda coletiva por informações. Não busca uma relação de transparência com a opinião pública. Pelo contrário, acredita na máxima de que não existe opinião pública e sim opinião publicada.
A mídia nacional, que anda e sempre andou a reboque da imprensa estadunidense, condena publicamente qualquer tipo de ingerência do poder do Estado sobre a atividade que exerce, luta contra a censura, em qualquer forma que assuma, mas não considera censura a maneira como edita as notícias, cerceando a liberdade de opinião de seus jornalistas. Não considera censura quando impõe ao seu conselho editorial unicamente os conceitos e diretrizes dos donos da empresa jornalística, os quais são, pela sua natureza burguesa e sectária, unilaterais e partidários da direita.
A Constituição de 1988 diz que é “livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”(artigo 5º, inciso IX). Também diz que “nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social” ( artigo 220, parágrafo 1º). No entanto não existe qualquer referência permitindo que crimes praticados por intermédio da imprensa, como os de calúnia e difamação, por exemplo, estejam isentos de punição. Não prevê também a Constituição que órgãos da imprensa estejam isentos de responsabilidade civil e criminal pelos abusos cometidos, abusos e crimes esses que acompanhamos diariamente na mídia nacional, a partir das eleições dos governos populares há pouco mais de dez anos. Regular estas questões precisa alcançar nossa mídia, a fim de frear sua irresponsabilidade no trato das notícias e das palavras. Regular não é censurar.
Jeferson Malaguti Soares
Administrador de Empresas
Ribeirão das Neves-MG
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